sábado, 5 de maio de 2012

SACUDINDO A POEIRA



SACUDINDO A POEIRA

Maria Beatriz Versiani

Diz a letra de um velho samba: Reconhece a queda, e não desanima: Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!

 Apenas uma ilustração do cancioneiro popular para algo muito superior, que o Senhor Jesus nos ensinou em Seu Evangelho segundo Mateus:

“Ao entrardes na casa, saudai-a: se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no dia do Juízo, do que para aquela cidade.” (Mt 10:12-15)

Somos seres humanos, e, por isso, relacionais. Nossa marca é a impossibilidade de vivermos e perpetuarmos a espécie sem nos encontramos uns com os outros. Tudo se dá nos encontros.

O propósito dos encontros aos quais o Senhor Jesus se referia naquele momento era pregar o Reino de Deus. Um Reino que não era deste mundo, não obedecia à ordem social deste mundo, não correspondia aos anseios deste mundo.  Reino de uma lógica considerada  “loucura” e “fraqueza” para os que não creram, mas Poder de Deus para os que o aceitaram. Os doze apóstolos estavam sendo enviados naquele momento, “de preferência, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt10:6).

Isto nos indica que aqueles cristãos iam não para um povo que não conhecia e não esperava as coisas do Senhor, mas para um povo que, por causa de seu coração endurecido, se assemelhava a lobos.

Sacudir a poeira dos pés era um sinal de repúdio que os judeus utilizavam para os não judeus. Assim, foi este o sinal que o Senhor disse que os apóstolos utilizassem, se necessário, com os próprios judeus, para causar impacto aos seus corações rebeldes e endurecidos.

A Palavra de Deus nos  compara a casas espirituais:
“Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” (1 Pe 2:5)

Daí que se somos casa, habitação, todos nós seres humanos temos um senhor, um dono da casa. E esse dono ornamenta sua casa com aquilo que diz respeito a ele.

Nós, cristãos, somos habitação do Espírito Santo de Deus, é Ele quem determina a decoração, a limpeza, a manutenção.

 Ao nos encontrarmos, fazemos trocas intelectuais, afetivas. Entramos “na casa” uns dos outros. Para nós cristãos, está dada a direção: quando ” entrarmos numa casa”, quando nos encontrarmos com qualquer outro, devemos saudá-lo com a paz que vem do Senhor que habita em nós. Se esta “casa” for digna de receber, será sobre ela a nossa paz, a paz do nosso Senhor. Se rejeitar-nos, devemos, ao sair dela, sacudir o pó dos nossos pés.  O juízo sobre esta “casa” virá não por nós mesmos, mas pelo Senhor que habita em nós.

Como lidar com a rejeição? Como responder a uma ofensa? Como receber a injúria, a injustiça? Devemos nós, cristãos, reivindicar incessantemente nosso direitos num mundo regido pelo maligno? Que direitos ele nos concederia?

O nosso Mestre foi destituído de todos os seus direitos. E não abriu a boca. Não o fez porque não pudesse, sim, Ele podia tudo. Mas porque era necessário que por um pouco de tempo fosse humilhado, para a manifestação da Sua Glória.

O discípulo não é maior que o Mestre. Somos “pequenos cristos” e por isso carregamos, com Ele, o opróbrio, a vergonha, a perseguição.  Não temeremos os “que matam o corpo”, porque quem não toma a sua cruz, e vai após Ele, não é digno Dele.
Caminhamos como peregrinos, submetendo-nos a toda instituição humana, por causa do Senhor  (1 Pe 2:13), guardados pelo poder de Deus, exultantes na salvação que se revelará no último tempo:

“Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.
E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” (Ap 21:3-4)
“Bem aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas” (Ap: 22:14)

Aí está a nossa volta por cima. Reconhecer que nosso lugar de glória não está aqui, no mundo manifesto, mas nas coisas que ainda não vimos e não conhecemos, e que Deus, o nosso Pai, tem preparado para nós.

Vamos irmãos. Andemos em alegria e temor, cantando hinos e louvando ao nosso Deus.  Saudemos a todos com a nossa paz, desejemos a paz, ministremos  amor e  perdão. Façamos a qualquer pessoa como se fosse para Ele. Façamos somente o bem, e nunca o mal.

Caminhemos. Ele está  conosco nesta viagem todos os dias, até alcançarmos a Terra Prometida.

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Maria Beatriz Versiani
Psicóloga Clinica
Psicóloga Associada ao CPPC - Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos
http://tizaversiani.blogspot.com
(37)8816.0585